Compreendendo o vento
Uma vez ao fazer snowkite na face oculta de uma montanha íngreme em Chamonix, ocorreu-me o quanto o nosso conhecimento da meteorologia necessita aprofundamento, de modo a verdadeiramente perceber os perigos potenciais em que nos colocamos durante as nossas actividades com asas de tracção. Como instrutor de Parapente, tive que aprender a conhecer o comportamento do vento e tenho que passar essa informação aos alunos para reduzir a percentagem de possibilidade de haver pessoas a voar em locais perigosos. Uma vez que voamos foils de ar e os levamos agora para ambientes montanhosos, algum deste conhecimento será igualmente benéfico para os powerkiters.

Um bom ponto de partida é tentar imaginar que o vento se comporta como a água, o que significa que flui por cima e à volta dos obstáculos no seu caminho e tenta escolher o caminho mais fácil. Vários efeitos, que explicarei mais aprofundadamente, tais como gradiente de vento, efeito Venturi, o lift dinâmico e os rotores turbulentos, afectam enormemente o ar em que voamos as nossas asas. Mais… os padrões da meteorologia tais como frentes de rajada (quando nuvens cumulos gigantescas ou frentes com trovões se aproximam), assim como efeitos localizados podem ter também um enorme impacto no comportamento do ar à nossa volta.
Rotors e Turbulência
Muitos de vocês já repararam que quando estão a voar uma asa de tracção na praia com vento onshore (do mar para a terra), o vento é muito mais calmo e limpo do que quando voam com vento offshore (da terra para o mar). Isto é simplesmente porque o ar que flue por cima do oceano é muito menos afectado pela fricção do solo e dos obstáculos do que o ar que viajou sobre a terra, pertirbado por montes, prédios, árvores carros estacionados, etc. Qualquer objecto no caminho do ar perturbará e defletirá o seu movimento, e dependendo do tamanho e da forma do objectoe da intensidade do vento, causará a sectarização do ar e o aumento de redemoinhos e turbulência, chamados rotores (ver cabanas de praia diag 1 AND SP-KSK96.JPG ). Conseguimops sentir estes rotores a downwind dos obstáculos como rajadas médias a severase repentinas mudanças na direcção do vento. Muitos factores influenciam a distância influenciada pela área turbulenta, vento fraco flui sobre obstáculos sem arestas muito definidas - experimenta utilizar um cone de vento para sedimentares para ti esta ideia, porque, obviamente é benéfico para nós evitar estas áreas de rajada. Muitos kiters experiênciaram estes efeitos e as consequências na sua navegação da asa e por vezes falam de inexplicáveis “surtos” de vento ou o seu colapso por completo uma vez que o vento muda de direcção até 180º num esfregar de olhos. Não é assim tão inexplicável se eles estiveram a navegar uma MTB ou um Buggy no lado a downwind de prédios ou árvores, ou a sotavento de uma montanha íngreme!
Gradiente de Vento
Este é um conceito relativamente fácil de perceber. À medida que o ar se movimenta na superfície do nosso planeta, é afectado pela fricção de tudo aquilo com que contactar e o seu movimento desacelera. Como consequência, o ar acima da superfície é desacelerado pelo ar que está por baixo, mas num grau menor. Então, para dizer de modo fácil: quanto mais alto estamos, maior é a velocidade que sentimos. Podemos verificar isto facilmente quando sentimos a diferença entre a intensidade do ar que sentimos na nossa face e a potência que sentimos na nossa asa quando a lançamos a 25m acima da nossa cabeça. Isto é o gradiente do vento e podemos, assim, esperar ventos mais fortes no topo de um morro do que no se sopé.
Efeito Venturi
Outro efeito do ar que talvez já tenhas encontrado, mas talvez não tenhas percebido é o efeito venturi. Imagina o que acontece quando apertas com o polegar a extremidade de um cano de água, bloqueando parcialmente saída. A mesma quantidade de água está agora a passar por um orifício muito menor, por isso devido às leias da física, a água acelera. Agora imagina que estás a conduzir o teu buggy pela praia, e uma brisa onshore sopra na praia e depois por cima de uma montanha e de linha de pinheiros a downwind. Um buraco na montanha será uma saída mais fácil para o ar, por isso muito desse ar tentará sair por ali (em vez de ir pela colina e montanhas), acelerando à medida que se desloca e passa. Também se pode sentir este efeito Venturi enquanto fazes MTB montanha a cima ou quando navegas em snowkiting montanha a cima. à medida que sobes, sentirás a velocidade do vento aumentar devido ao gradiente de vento e, chegado ao topo vai aumentar ainda mais devido ao efeito Venturi, causado pelo elevado volume de ar a tentar passar por cima do monte ou montanha, que geralmente é apertado de cima pela pressão atmosférica.
Lift Dinâmico
Enquanto montes e montanhas no caminho do vento conseguem criar rotores e turbulência a downwind se não forem suficientemente suaves para deixar o ar fluir pelo topo ou à sua volta, na presença de uma area grande o suficiente e uma corrente de vento a fluir 90º na sua direcção, eles podem também criar lifts dinâmicos ou correntes ascendentes. Todos já assistimos a gaivotas a voar em círculos sem qualquer esforço ao longo de uma parede de um porto ou lá no alto de uma colina ou monte a barlavento. Como não batem as asas, tem que haver uma força a sustê-las lá em cima. Esta força é uma corrente ascendente e é causada por correntes de ar que foram forçadas a movimentar-se para além do seu eixo horizontal por alguma montanha ou estrutura no seu caminho. Se tivermos uma fila de casas com terraço a criar uma barreira nas traseiras da nossa praia, com a brisa do mar quando o ar começa a fluir na direcção destas casas é forçado a subir na vertical. Isto provoca uma área de ar a subir, chamada de banda ascendente, que se pode estender a uma distância considerável para upwind e ainda mais na vertical. Um dos principais métodos de aproveitamenteo do vento utilizado pelos pássaros, é também uma das principais causas de acidentes para todos os que utilizam asas de tracção. Muitos kiters foram já apanhados ao tentar saltos e deram por si a subir mais alto que sempre, a aterrar muito para lá do que esperavam. É fácil não reconhecer a potência das correntes ascendentes (lifts dinâmicos) criado por obstáculos a downwind, até porque o ar é invisível. oi o Col em Chamonix que me inspirou a escrever este texto, porque aqui, uma banda ascendente extraordinária fez com que o Robbie Whittall, o construtor Ozone (ver foto), felizmente como foi campeão mundial de parapente, não necessita de lições do local onde o lift é mais fraco e facilmente aterrou novamente. Um piloto menos experientetalvez tivesse voado até à Suiça naquele dia.
Como as tecnologias das asas melhoram e os construtpres de asas desenvolvem melhorias nos seus produtos, os kites estão a tornar-se asas e os seus controladores, pilotos. Se vamos ser pilotos, então será melhor compreender os elementos em que voamos. Há muitos livros e páginas web onde podes aprender muito para além do alcance destas parcas palavras, por isso, por favor façam-no e possam os vossos ventos ser justos e o céu azul.
Text and Photos by Gus Hurst
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